E o troféu filho da puta do mês vai para:

•Maio 5, 2009 • Deixe um comentário

Todo mundo já fez aquela brincadeira idiota de bater com toalha molhada nos amigos. Coisa de filho da puta sem ter o que fazer.

Pois o Pânico resolveu resgatar a p$*#@(*$ da brincadeira, que é o máximo qdo vc faz com os outros, mas dá vonta de matar quem faz contigo.

Com vocês, o maior filho da puta do mês: José Toalha.

Susan Boyle – Catarse coletiva.

•Maio 1, 2009 • Deixe um comentário

Todo mundo já assistiu ao vídeo da Susan Boyle na Internet na nova versão do Britain´s got talent, um programa de calouros no mesmo molde do “america´s got talent americano, ambos os programas criados e dirigidos pelo conhecido crítico, produtor, executivo da gravadora BMG e filho da puta Simon Dowell.

Resumindo a história, a moça é feia, estranha e não parece cantar bem nem em sonho. Daí chega lá, desacreditada por todo mundo, inclusive pelos jurados (O Simon então…..) e “arrebenta” cantando a música “i dreamed a dream” do musical Les Miserables.

Quando percebi no que isso ia dar, lembrei imediatamente de uma cena que tinha visto mais ou menos há um ano atrás na primeira versão do programa, quando o Paul Potts, outro cara meio torto, chegou no programa dizendo que cantaria a ária “nessun dorma” da ópera Turandot, de Puccini. Todo mundo olhou pra ele com a mesma cara de “putaquepariu, lá vem merda”. Inclusive eu.

Quando assisti o Potts confesso que me emocionei a princípio. Nos dizeres do blogueiro Álvaro Augusto, http://alvaroaugusto.blogspot.com/2007/08/senhoras-e-senhores-o-grande-paul-potts.htm) fui atingido pelo efeito puccini. Infelizmente depois acabei tendo que ceder ao olhar crítico e confessar que fui manipulado.

Quando assisti à Senhora Susan entrando no palco também fis cara de “Lá vem merda”. Só que por outro motivo. E dessa vez deu merda. Logo nos primeiros versos minha cara piorou, pois da última vez os diretores do programa mandaram bem melhor.

Paul Potts não é nenhum Carreras, mas tem seu mérito. Cantar ópera não é NADA fácil. A vida de um tenor profissional é duríssima, cheia de privações e de treino constante. Não é nada fácio MESMO. Já um musical não tem a mesma dificuldade e as linhas vocais são bem mais fáceis, justamente porque no início os atores dos musicais eram mais atores mesmo. Não eram grandes cantores, e os compositores sabiam que não podiam exigir muito. E Susan Boyle…  Já conheci não foram um ou dois cantores que cantam muito, muito, MUITO melhor.

Tudo bem. Ela canta mais ou menos (Bem mais ou menos). Mas será que a gente tem que se contentar com o “mais ou menos”? Com a mediocridade? Será que música tem que ser mesmo aquela coisa que a gente ouve pra passar o tempo? Nâo merece ser olhada com um pouco mais de profundidade?

Eu sempre fui fã de musicais da broadway (les miserables é o musical de tempo recorde em cartaz por lá. Mais de 23 anos ininterruptos.) e acho que quem vai cantar um negócio da magnitude de “i dreamed a dream” em cadeia nacional tem que ter um certo nível que a senhora em questão não tem (até porque hoje em dia o nível dos cantores da broadway subiu muito e musicais viraram obras de quase tanto respeito do ponto de vista técnico como uma ópera). E não é muito difícil notar isso quando se vê a Lea Salonga, uma das vozes mais respeitadas da Broadway, cantando a mesma música. E ela não só canta. Também interpreta e dança. é uma artista completa, como uma atriz da broadway deve ser.

Infelizmente não dá pra comparar. A Lea Salonga, também uma das atrizes principais do musical Miss Saigon, parafraseando Álvaro Augusto, é uma profissional. E não dá mole pra ninguém. Não dá pra comparar o timbre, a técnica e a potência da voz dela com a Susan Boyle. E pra quem gosta daquele velho papo “ah, mas música não é só técnica”, sinto muito. Não dá pra comparar a expressão também. E olha que a baixinha aí não tem um diretor pra editar as imagens e fazer tudo parecer linda. Conta só com o próprio talento. Alguém procure no Youtube o vídeo da primeira audição dela pra Miss Saigon. A guria senta do lado doClaude-Michel Schonberg, criador do musical, e canta como se tivesse na sala de casa. Competência pura.

O ponto é: A maioria das pessoas não sabem olhar as coisas de um ponto de vista crítico, e isso não é estranho. Todos nós somos guiados pela emoção. Acontece que ser crítico é necessário, pois nem sempre a versão da história que nos contam no intuito de nos fazer pensar ou sentir algo é a versão real. Tanto o Potts como a Susan Boyle não começaram a cantar ontem, como o programa sugere. O Potts tentou ser aceito em vários conservatórios e a Susan também procurou seu lugar ao sol na indústria da música. Basta procurar alguma coisa deles antes da fama. Eu encontrei. Outro ponto: O Simon Dowell da televisão é um personagem. Se ele fosse assim na vida real nunca teria comido ninguém de tão chato. Além do mais, o cara é um executivo de uma gravadora e é diretor do programa. De trouxa ele não tem nada.

Também acho que as pessoas merecem ser reconhecidas pelo trabalho delas. Só isso gera respeito. E ser reconhecido não pelo seu talento, mas sim por ser feio, gordo, estranho ou ter cara de bobo, e por isso as pessoas te sentirem obrigadas a te dar uma chance, não é respeito. É pena. É compactuar com a ditadura da imagem e do superficial que essa mesma mídia que apresenta a senhora Susan Boyle criou.

Quando digo isso todo mundo me chama de chato, pedante, etc. Concordo que muito crítico por aí fala demais. Mas não sou nenhum crítico. Sou músico, participo de uma banda e sei como é duro encontrar até mesmo um lugar pra tocar. O mundo da música é concorridíssimo e mesmo ser muito bom não é garantia de sucesso. Conheço vários artistas tão bons que dá dor no coração de ver os caras sem fazer sucesso. Infelizmente essa é a vida real.

Por isso fico tão chateado quando vejo gente que não merece tendo uma exposição exagerada. E o pior: fazendo parte de um circo. Na primeira edição do programa eu até conseguia ver uma certa naturalidade. Nessa dá pra ver claramente que tudo foi engendrado pra causar o mesmo efeito do vídeo do Potts.

A senhora em questão está sendo usada pela indústria fonográfica pra amealhar uma grana extra (afinal de contas as gravadoras têm que dar um jeito de não ir pro buraco de vez). E ela é mesmo muito inocente se não sacou isso ainda.

No dia do trabalhador, nada é mais justo do que reconhecer o trabalho de que merece.

Motociclismo de hoje – Vale a pena?

•Abril 28, 2009 • Deixe um comentário

Como dito no post sobre a RD-350, há 20, 30 anos atrás andar de moto era algo bem diferente do que acabou se tornando. Quem andava de moto andava porque gostava e na maioria das vezes tinha uns bons parafusos a menos. Hoje em dia a moto acabou se tornando parte do cenário urbano, especialmente entre as pessoas que procuram um meio de transporte rápido, econômico e versátil.

Conversando com alguns “dinossauros” do motociclismo, ouvi muito sobre a camaradagem entre motociclistas, que não é mais a mesma hoje. Também ouvi sobre como as ruas estão abarrotadas de carros e andar de moto na cidade (ou mesmo na estrada) se tornou algo perigoso. Muitos até desistiram de andar de moto no dia a dia e passaram a pilotar só em viagens.

Isso não é algo muito difícil de se concordar. Uso a moto no dia a dia (é meu único veículo) e vejo quantas pessoas estão em cima de uma moto sem a mínima habilidade. Não têm a mínima idéia do que são capazes, ou do que a máquina que possuem é capaz. E não digo sobre andar no limite, e sim sobre o que podem ou não fazer numa situação de risco, ou mesmo no sentido de se locomoverem de maneira mais rápida e melhor pra elas e pros outros, sem comprometer o fator segurança. Gente dura em cima da moto, insegura, dá pra ver que a pessoa não está à vontade só de olhar. Gente que tranca corredor sem saber se vai ou se fica, arriscando a segurança de quem está atrás na fila, pois todos ficam obrigados a andar do lado dos carros, gente que não sabe fazer uma curva no traçado correto…

Também tem aquele povo que não sabe o que significa parar no semáfaro e cumprimentar o motociclista do lado, ou que anda de moto só pra economizar, muitas vezes dizendo que se pudesse compraria um carro, que moto é perigoso, que o parachoque é a testa, e toda aquela ladainha que a gente já conhece.

Eu sou obrigado a concordar com os meus amigos “dinossauros” em certos pontos. Mas, de uma certa forma, também vejo muita coisa boa no cenário de hoje em dia.

Em primeiro lugar, equipamentos de segurança agora são algo bem mais acessível, tanto no que diz respeito a marcas como a preço. Só anda desprotegido quem quer. Há jaquetas, botas, luvas, capacetes, etc., pra todos os bolsos. Boa vontade pra gastar seu dinheiro numa jaqueta, e não num escape esportivo, é outra história.

Em segundo lugar, é muito mais fácil comprar uma moto confiável, segura e que caiba no seu bolso. A tecnologia evoluiu muito e já se foi o tempo de motos que davam problema, encharcavam velas, travavam motor, quebravam suspensão… Um bom exemplo sou eu, que com 23 anos pude comprar uma moto 250 que cabe no meu bolso, me dá prazer e…. continua sendo um veículo versátil, econômico e ágil. Quantas pessoas há 30 anos atrás tinham essa opção? Isso foi inclusive comentado sobre um amigo meu que possui mais tempo de moto do que eu tenho de idade.

Em terceiro, por mais que existam pessoas andando de moto que não estão nem aí pro espírito motocicístico, nunca fiquei sem uma força na hora do prego.  Sempre que tive algum problema, como na vez em que caí num buraco imenso e quebrei as duas rodas da moto (rodas que mesmo assim me permitiram parar em segurança junto com minha garupa graças à sua robustez) e recebi o auxílio de dois motociclistas, um que parou para perguntar se estava tudo bem e não me deixar sozinho no meio da rua à noite à mercê de ladrões e outro que saiu da sua casa ás duas horas da manhã pra me socorrer de carro e levar a moto pra minha casa. Sem aceitar um centavo em troca.

Certa vez parei pra socorrer as vítimas de um acidente de carro (um garoto bêbado, diga-se de passagem). Contei 6 motos estacionadas e os seus respectivos donos prestando os primeiros socorros. Quantos carros parados? Nenhum.

No final das contas, hoje é muito mais fácil se comunicar  e conhecer pessoas bacanas. Há um mundaréu de encontros, fóruns na internet,  telefone, celular, torpedo, carta, e-mail, orkut, twitter… É claro que o joio no meio do trigo está lá, mas sempre há pessoas dispostas a fazer amizade e rodar junto.

Enfim, por mais que hoje em dia o cenário seja desanimador, com pessoas que não respeitam motos, discriminação, motociclistas que não estão nem aí pra camaradagem, roubos, DPVAT nas alturas e leis absurdas, eu ainda acredito que cabe a nós fazer a NOSSA parte, pilotar com segurança, usar equipamentos de proteção e, principalmente, cultivarmos a amizade e andar com pessoas que valem a pena.

A opção de ser feliz ou de olhar só pros problemas é nossa.

Underground podcast

•Janeiro 22, 2009 • Deixe um comentário

Apesar de sempre ter sido fã deles, confesso que programas de rádio têm um problema: O espaço é caro e você depende de audiência. Portanto acaba que não pode arriscar muito.

Por isso gosto dos podcasts. É como um programa de rádio, com a vantagem que é fácil e barato produzí-lo.

Eu ainda me enrolo todo na hora de me inscrever nos podcasts. Já foi a época em que eu era rato de internet e ainda me atrapalho com  essas coisas meio novas (como se podcast fosse algo novo) e com os trejeitos existentes na blogosfera, mas tô curtindo demas.

Segue aí o endereço de um podcast de música underground que eu paguei muito pau.

http://www.underground.vocepod.com/index.php?id=61

O veneno da Viúva Negra

•Novembro 21, 2008 • 16 Comentários

“Lembro que na época (88-89) eu via RD dar pau em 7galo na arrancada, fácil fácil (na saída, depois a galo buscava, mas até aí já se passaram uns 800 metros pelo menos). Eu morava na Penha, e a mulecada ia pra Radial Leste entre as estações Belém e Bresser do metrô, e ali o couro comia (não existiam radares, e a polícia quase não aparecia). Era impossível pra qualquer moto da época, partindo do Belém, pegar a RD antes da Bresser. Bons tempos.”

Carlão Joken

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Na década de 70 e 80 o mercado de motos era bem diferente do que conhecemos hoje. Não haviam motos Xing Ling de qualidade duvidosa e moto era coisa de maluco, não de quem queria um transporte barato e fácil. Sobre marcas,  Havia a Honda, a Honda, a Honda de novo e pra uns poucos loucos que não se importavam em ficar cheirando a fumaça (e ás vezes até gostavam do cheiro) havia a Yamaha com suas motos 2 tempos de temperamento explosivo que aceleravam loucamente e deixavam um rastro de óleo fedido na cara de quemficava pra trás (coisa bem frequente).

Os motores 2 tempos ficaram na lembrança de muita gente e hoje em dia ainda equipam motos de competição. Os motivos para isso são vários. O primeiro deles é que os motores 2 tempos são mais simples, leves e potentes do que um motor 4 tempos da mesma cilindrada. O segundo é o comportamento explosivo desses motores, que demoram para “acordar” e em altos giros despejam toda a sua potência de uma vez.
A moto 2 tempos mais famosa da Yamaha no Brasil com certeza foi a RD-350. Uma motinha pequena, leve, com um motor 2 tempos de 2 cilindros refrigerado a líquido. Rendiam 55 cv a 9000 RPM, a maior parte dessa potência a partir dos 6000 RPM, quando o motor acordava igual a uma fera desembestada e o velocímetro subia rumo aos 200 km/h, velocidade final da bandida. E isso numa moto de 1986 com pouco mais de 160 kg. Fazia muito marmanjo borrar as calças. Por conta do número de pessoas que morreram abusando em cima dessesse canhão (que nos anos 70 não tinham freios nem quadro suficientes para segurar a potência), a moto foi carinhosamente batizada de “viúva negra”.

Isso tudo é lindo, mas foi o que havia ouvido falar dos outros.

Pois bem. No final de semana passado tive a oportunidade de experimentar do veneno da Viúva.

A cobaia foi uma RD 350R 92, já com faróis duplos e, literalmente, toda negra. A mais bonita já lançada, na minha opinião (igual a foto acima). O dono é um amigo meu que é apaixonado em RDs e possui somente TRÊS delas.

Somos do mesmo grupo de RPG (sim, com 23 anos e curso superior completo eu jogo RPG até hoje!) e o cara ficou de ir com a moto num dos jogos para que eu a visse. Nos encontramos no Venâncio 2000, ponto costumaz de jogadores de RPG em Brasília,  e lá estava a viúva. Pedi somente pra subir e ver a posição de pilotagem. O cara simplesmente colocou a chave, ligou a moto e disse “Só não se mata!” laugh.gif laugh.gif laugh.gif

Imediatamente comecei a tremer. “car@%$~, vou acelerar a viúva! Nem acredito!”. E quando subi na porra da moto nunca senti o peso de um nome tão forte.

Respirei fundo, “vamos lá”, pensei. Como a moto é carenada, a primeira coisa que estranhei foi eu virando para os lados e a frente da moto permanecendo no lugar, mas nada de mais. Duas curvas depois eu já tinha acostumado. Outra coisa é a posição de pilotagem, 100% racing. Os pés encolhidos e as mãos lá na frente. Fiquei parecendo um frango assado em cima da moto, mas um frango assado feliz.

Primeiro uma passada tranquila, esticando até 5000 RPM pra esquentar o motor e conhecer a moto. Passei pela frente do Pátio Brasil e subi pelo Assis Chateaubriand, acelerando a moto no sinal para esquentar o motor e fazendo o óleo 2 tempos subir. Surpresa: Mesmo sendo uma moto com quase 18 anos a boa e velha ciclística Yamaha se faz presente. Comecei a me sentir em casa, mas o nome VIÚVA NEGRA ainda pairava sobre minha cabeça.

Depois uma passadinha passando dos 6000 pra conhecer a arrancada quando a moto, nas palavras dos mecânicos Yamaha dos anos 90, “abre o Y”. Motor devidamente quente, puxada no acelerador: PUTAQUEPARIU! A rotação sobe loucamente e a moto dá uma estilingada BRABA! Impressionante como o povo baba, os carros abrem espaço…. Não é assim com a minha Fazer mirradinha…. Desacelerei quando a moto já estava a 100 km/h, isso depois de 7 ou 8 segundos de arrancada, sem sair com giro alto…

Na hora de parar, uma surpresa: Os freios funcionam SIM. O que não tem mesmo é freio motor. Isso se confirma. Mais umas freiadas e eu me acostumei com esse fato, eu acho…. Essa é uma das características do motor 2 tempos que matou muita gente.

Parei a moto e o gentil dono dava risada da minha cara de felicidade. Mal sabia eu que a viúva ainda sequer tinha mostrado as garras.

Saindo do jogo fomos a um cachorro quente na 513 norte. A barraquinha fica no final de uma rua de aproximadamente 500m. Lugar deserto, Asfalto bom, sentido único, nenhuma entrada ou saída de carros… O dono, meio virado das idéias, me entregou a chave e disse: “vai até o final da reta tranquilo porque é contramão. Na volta enrola o cabo e dá uma volta direito nessa moto!” Pense numa criança feliz.

Na primeira passada não foi nada demais. dei uma brutalizada básica e estiquei até segunda marcha. parei bem antes pra conhecer os famosos freios da RD. A essa altura eu já estava meio que suando frio. “caralho, tanta gente morreu em cima dessa merda! Olha o que eu tô fazendo! 100 por hora numa retinha minúscula dessa! Eu sou louco……. Putaquepariu, QUE MOTO FODA!”… A RD sempre foi conhecida por um comportamento dinâmico nada exemplar. Shimmys, kick back, pneus que não passam confiança, quadro fraco demais pra potência do motor…. tudo isso ela tem. Menos do que a irmã dos anos 70, mas tem, e já matou muita gente!

Só que como os parafusos do papai aqui ficaram na linha de montagem, olhei pro final da rua de novo, abri um sorriso de orelha a orelha e voltei até o final da rua, torcendo pra nenhum morador chamar a polícia.

Nova passada. Acelerei a moto. O cheiro do óleo 2T subiu. Aquela porra parece que faz você perder o juízo. “Foda-se o medo da viúva!”, pensei. Acalerei até 6000 RPM, faixa em que o ronco do motor passa de um zumbido de abelha pra um grito descontrolado. soltei a embreagem e a frente da moto subiu imediatamente. Deixei o pau quebrar.;

Só lembro do mundo fechando num cone, dos socos na troca de marcha com a agulha indo até os 10000 RPM e o velocímetro subindo até 140 por hora em uns poucos segundos. Não deu tempo de esticar a terceira marcha e a rua já tinha acabado. Freiei com tudo e percebi que a coisa toda tinha demorado uns 15 segundos no máximo.

Parei no final da reta, tirei o capacete, fiquei olhando abestalhado pra moto.

O dono, que me seguiu com a Fazer (óbvio que ficou pra trás) parou do lado e gargalhando gritou “E aí, batizado com o perfuminho dos 2T? que que achou?”

Dizem que você sabe quando o cara gosta da moto se ele desce dela sem falar nada, ou então tremendo.

Desci tremendo igual vara verde, olhei pra cara dele e só consegui dizer “Cara…. EU QUERO UMA RD!”

O cara cai na gargalhada, me dá um abraço apertado e diz: “BEM VINDO AO CLUBE!!!”

A moto em marcha lenta continuava lá. sem embolar, soltando um ronco grave e nervoso, como se implorasse pra ir de novo.

Senti aquela vontade doida de voltar pro final da reta e o resto da sanidade que eu tinha ir pra casa do caralho. Nessa hora foi que descobri porque essa moto virou lenda.

Hoje em dia as motos esportivas possuem, em média, 170 kg e 180 cv. Mais que o triplo da  viúva.. Mas poucas passam a mesma emoção e adrenalina que a RD é capaz de passar. O comportamento arisco, a posição, o cheiro de óleo 2t, o ronco, o apelido, tudo parece conspirar para que você perca o juízo.

Saí de lá com a sensação de ter vivido uma lenda, e com o bolso coçando, doido pra ter 6000 reais pra dar numa moto velha, ultrapassada, perigosa e que é um ralo de dinheiro (manutenção de motor 2t é cara e constante). Mas eu juro: Se eu tivesse essa grana gastaria sem pensar duas vezes.

Pra finalizar, o texto de um amigo, Carlão Joken, sobre a RD-350.

RD. O Mito.

“O grande problema dessa moto, na época dela, é que o pessoal tava acostumado com as cbzonas, que apesar de acelerar bem, eram bem tranquilas. Aí me chega essa danada, a mulecada endoidou com a aceleração brutal ao abrir o YPVS. E convenhamos, o freio dela é bom sim, mas não é nenhuma maravilha, aliado ao fato de não ter freio motor (nenhuma 2 T tem, é característica delas).


Então imagine: a mulecada acostumada com as CBs da vida, ou a 7 galo (CBX750F), que aceleravam bem (a galo MUITO bem), mas tinham muito freio e o freio motor pra ajudar, além da ciclistica melhor; aí me chega essa diaba com muuuito motor, levíssima e freio “razoavel”, além da falta de estabilidade nas curvas de alta (aqueles pneuzinhos 120 na traseira não convencem…). Tava dada a fórmula da matança. Os caras se arrebentavam mesmo.]


Mas é uma moto que, nas mãos de quem sabe o que tá fazendo, dá show. Lembro que na época (88-89) eu via RD dar pau em 7galo na arrancada, fácil fácil (na saída, depois a galo buscava, mas até aí já se passaram uns 800 metros pelo menos). Eu morava na Penha, e a mulecada ia pra Radial Leste entre as estações Belém e Bresser do metrô, e ali o couro comia (não existiam radares, e a polícia quase não aparecia). Era impossível pra qualquer moto da época, partindo do Belém, pegar a RD antes da Bresser. Bons tempos.”

Mantendo a relação

•Outubro 13, 2008 • Deixe um comentário

Esse texto foi escrito pelo jornalista Geraldo Tite Simões e está originalmente publicado no www.Motonline.com.br

Pra começar a semana lendo bem.

Cuidem bem de suas relações.

Na época do ginásio, uma professora de Português chegou na classe com uma questão inédita: qual peça do carro tinha um nome que retratava uma verdade existencial? Muita gente chutou afogador, acelerador, limpador, etc. Qual não foi a surpresa quando a professora respondeu: amor tece dores, assim mesmo, separadamente para reforçar que o amor tece dores.

Muitos anos depois (muitos mesmo) numa viagem a Visconde de Mauá, entre Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, eu estava subindo a serra numa Aprilia Pegaso 650 quando encontrei um casal, à beira da estrada, com uma moto parada e algumas ferramentas no chão. Quando me viram, começaram a acenar pedindo ajuda: estavam com a corrente de transmissão quebrada.

Parei a moto e perguntei se tinham uma corrente reserva. Obviamente não tinham. Nem uma emenda? Não. Então a única coisa que poderia oferecer era o telefone celular para ligar pedindo socorro. Mas, para confirmar minha teoria que nada é tão ruim que não possa piorar, naquela região não havia sinal de telefonia. Uma hora depois começou a chover! E o fim de semana daquele casal naufragou solenemente na estrada.

Continuei a viagem pensando naquela cena, os dois, próximos de um final de semana perfeito, com frio, céu azul, numa cidade romântica, colocando tudo a perder por um descuido na manutenção da relação de transmissão. Aquilo ficou na minha cabeça “descuido na manutenção da relação”. Lembrei da professora, e daquele amor que tece dores, e fiz uma analogia mecânico-matrimonial que gostaria de expor a vocês.

As motos com corrente de transmissão exigem um cuidado periódico e todo mundo que teve uma bicicleta na vida sabe disso. Quando a corrente começa a gastar, apresenta sinais claros como barulho, vibração e até trancos, quando a folga já virou férias. Basta um simples procedimento para ajustar a corrente e tudo voltar ao normal, além de algumas gotas de óleo para lubrificar. Tudo muito simples.

Ou seja, aquele motociclista ignorou todos os sinais de fadiga da relação de transmissão e assim mesmo viajou por uma estrada de terra e com garupa! Não deu outra: a relação quebrou!

Num relacionamento interpessoal a regra é a mesma. Seja entre marido e mulher, namorados, pais e filhos, colegas de trabalho, parentes, amigos, qualquer relacionamento exige um trabalho mínimo de manutenção. Mas, em vez de pingar umas gotas de óleo, esta manutenção é feita com carinho, respeito, atenção, cordialidade, gentileza e outros atributos humanos meio enferrujados.

A relação entre pessoas também mostra sinais de fadiga que devem ser observados e, sempre que possível, corrigidos. É o tal “discutir a relação”. Tal qual a corrente da moto, a relação entre casais pode quebrar de forma inesperada se não forem tomados os cuidados de manutenção, nem interpretados os sinais de fadiga.

Até que chega um ponto no qual aquela corrente não permite mais regulagem. É o fim! Troca-se por outra mais nova e tudo recomeça com uma longa jornada pela frente. Aqui está a maior diferença entre as “relações”. Porque no caso das pessoas que se relacionam, a troca é muito mais difícil e dolorosa. Muito embora algumas pessoas venham trocando de relação com mais freqüência do que os 30.000 km, em média, da moto. Talvez a grande culpada por esta excessiva troca de relações seja a falta do regulador graduado. Junto ao eixo da roda traseira da moto, uma peça indica a tensão da corrente. Quando os elos já estão muito folgados, esta regulagem aponta que é hora de jogar aquela corrente fora. Mesmo assim alguns motociclistas cometem a barbaridade de cortar alguns elos para prolongar a durabilidade da peça.

Novamente voltamos ao parâmetro dos relacionamentos interpessoais. Alguns casais também tentam paliativos para prolongar uma morte anunciada e arrastam a relação por mais algum tempo, na base do quebra-galho.

Esta é a maior dificuldade para medir o desgaste de uma relação interpessoal: as pessoas, ao contrário das motos, não têm aquela pecinha que indica visualmente que a relação chegou ao fim.

Burial – Archangel

•Setembro 29, 2008 • Deixe um comentário

Nunca fui muito fã de dub. Mas aí vai um clip dessa banda que simplesmente adorei. Não é Dub de raiz, e sim dubstep, mas tá valendo.
A música “archangel” me emocionou desde que eu ouvi pela primeira vez. Com o clipe, então, ficou ainda melhor.

Recomendo. E pode ter certeza que vou continuar acompanhando a banda.

A alma de um motociclista

•Setembro 4, 2008 • Deixe um comentário

Às vezes você olha pra dentro de si
e acha que certas verdades ou mentiras são imutáveis.
Você se acostuma com suas qualidades e defeitos
e passa a chamá-las de características.
E dependendo de tudo que você viveu até então
pode ficar frustrado, ou satisfeito.

E de repente algo acontece.
Ou talvez nada aconteça.
E um pensamento de um segundo lhe faz entender anos de incertezas.
Uma centelha de um só momento.
Como se o dedo mínimo de Deus lhe tocasse.
E tudo o que você pensava que sabia sobre os outros, sobre si mesmo, ou sobre a vida,
tudo aquilo que você achava que jamais mudaria
muda em um segundo.

Neste momento ,
ou pode ser em outro,
parecido ou não,
você aprende.

Que por mais que você seja forte,
ás vezes basta um só momento para quebrá-lo em pedaços.
Que não adianta querer ser você mesmo,
pois todos os dias você já não é mais a mesma pessoa que era ontem.
Aprende que aquilo que chamamos de verdade ás vezes é muito mais fruto das circunstâncias.
Que a vida nem sempre precisa ser justa,
mas nem por isso deixa de ser divertida.
Que às vezes você pode fazer algo,
mas às vezes não pode fazer nada.

Você vai percebendo
que não importa o quanto você viva
você sempre terá algo a aprender.
Que a razão é a única bússola que você tem na vida,
mas que a vida não é racional.
Que deixar conceitos antigos pra trás
não significa se deixar pra trás.
Que não importa se todas as estradas são estradas
e mesmo se ás vezes a estrada já é conhecida.
Do outro lado da curva sempre há algo novo esperando para mudar suas concepções
ou as vezes apenas estará ali com o propósito de ser belo.

E então você se agarra a essa verdade com paixão,
e assim aprende que agarrar com paixão é a única forma de manter certas verdades.
Que a força é importante pra vencer, mas a fé é importante pra lutar.
Você redescobre que as coisas mudam
e que você não é o que você vive, ou o que você tem.
Que os bens são circunstâncias
e que as pessoas, mais dia ou menos dia, irão embora.
E talvez isso não seja tão ruim assim,
pois você sempre levará a tranquilidade e o entusiasmo que acompanha as boas lembranças e os novos sonhos.

Enfim…
Assim, aos poucos,
você se permite redescobrir o prazer de estar sempre aprendendo.

Agarre-se a isso.

Pois quando suas lágrimas embaçarem seus olhos e não lhe permitirem ver a próxima curva,
quando você ameaçar perder o rumo por achar que já sabe de tudo,
quando você perceber que está seguindo sozinho a estrada sem saber onde será a próxima parada,
ou mesmo quando o barulho do motor e o vento no rosto perderem o gosto de novidade,
Enfim, quando a tristeza, a amargura, os anos ou a própria alegria lhe pesarem os ombros,

Essa é a mentalidade
que irá lhe manter vivo.

Keep on road.

O mundo é dos medíocres

•Agosto 10, 2008 • 1 Comentário

Querido diário..

Hoje acordei bem melhor. Depois de arrotar e peidar que nem um porco a noite toda uma boa noite de sono, o resquício dos gases que o médico usa para inflar o abdômen e ter área pra cirurgia e que também suspeito que sejam causados pela gelatina de hospital. já saiu do corpo. Conclusão: Estou bem menos inchado.

A dor já aliviou bastante e ja não tô andando mais entrevado. Já conseguir até dormir de bruços.

Ainda sobre a Cirurgia: Eu tava sonhando na hora que voltei do anestésico , por isso acordei assustado, meio que de uma vez. Tava sentindo muita dor no abdomen e só consegui cutir bem a lombra depois do sossega leão que me deram. é legal, o mundo gira, você ri de qualquer merda… Very Happy Depois de 5 minutos eu tava cantando na sala de recuperação e as enfermeiras dando risada de mim! (Detalhe: O pessoal q tinha tomado anestesia peridural do lado, todo mundo sem sentir as pernas, mais lombrado que eu, e eu lá dando uma de palhaço)

“Enfermeira – Quer alguma coisa, Sr. Ubiratan?
Bira- Uma cerveja. Antártica.
Enfermeiras: Laughing
Bira: Do que vocês tão rindo? Porra, tô falando sério! Não é papo de lombrado não!
Enfermeiras: Laughing Laughing Laughing
Bira: Porra, cadê minha cerveja? ”

Juro pra vocês que tava falando sério.

Mas enfim… mudando de pau pra cacete, eis o texto que prometi pra todos. Tive a idéia de escrevê-lo semana passada, mas me faltou tempo.

Boa tarde a todos e melhoras pra mim!

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O mundo é dos medíocres

Na nossa sociedade prágmática de hoje, a figura dos ritos não é entendida pelas pessoas. A maioria acha rituais perda de tempo, ou mesmo superstições. O que ninguém entende é que PRECISAMOS de rituais.

Um dos conjuntos de rituais mais importantes que se perderam nesse pensamento pragmático foram os rituais de passagem da adolescência/juventude para a vida adulta, o que faz com que os adolescentes não tenham um norte de quando é hora de crescer – ou mesmo de quando chegou a hora.

Pelo menos no meu caso – e imagino que no caso da maioria dos meus amigos – essa consciência tenha vindo aos poucos, através do aprendizado de algumas verdades sobre a vida.

E pra mim, uma das verdades mais importantes que aprendi neste sentido foi de que O MUNDO É DOS MEDÍOCRES.

É sério.

Tinha um professor meu na faculdade que dizia que “felizes são os que nasceram com o sublime dom da mediocridade. A habilidade inata de ser estupidamente e insossamente igual a todo mundo.”, e hoje eu vejo que ele estava redondamente certo. Ser brilhante ou acima da média pode ser um grande problema, e é por isso que por aí há muitos gênios esquecidos.

Pelos seguintes motivos:

1- Ser brilhante causa inveja. No mundo dos adultos, ser brilhante significa ter um lugar garantido, e ter um lugar garantido significa que voce garantidamente irá tirar o lugar de outro. Ou seja: causa inveja, e, consequentemente, ataques.

2- Levantar a cabeça acima da multidão atrai pedradas. A maioria das pessoas que dizem grandes verdades ou demonstram enxergar mais que as outras recebem pedradas. Ou por não serem compreendidas, ou por pura inveja.

3- Para o porco, a lama é a melhor coisa do mundo. Já ouviram aquela história de que o problema em ser irônico é que quando as pessoas não entendem as piadas quem fica parecendo um idiota é você? Pois é. É por aí. A maioria das pessoas não cosinsege entender um humor refinado ou uma verdade simples, embora fascinante. Aí você fica taxado de pedante ou algo assim.

Ou seja: No mundo dos adultos não dá pra ser o centro das atenções o tempo todo. E se você tenta, se fode. O problema é quando você NÃO tenta, e mesmo assim consegue…

Porque quando se está acima, não adianta tentar ficar de joelhos.

Quem é bom sempre aparece.

Portanto, um conselho: Se você é bom no que faz, inteligente ou com alguma capacidade especial: Tente escondê-la, mas só o suficiente para que ela apareça quando se menos espera.

Esse é o segredo dos grandes gênios. Aprendem que não precisam se esforçar pra brilhar.

Quem é bom brilha naturalmente.

laparoscopia

•Agosto 9, 2008 • Deixe um comentário

Olá people.

Estou em casa, me recuperando de uma videocirurgia laparoscópica hoje. Retirei a vesícula e uma pedrinha de 2 cm.

Já está tudo bem e tive alta no mesmo dia. Tô controlando a dor com remédios e tendo que arrotar e peidar que nem um louco pra tirar o CO2 que usam pra inflar o abdômen.

Se estiver bem pretendo postar amanhã. Texto novo já engatilhado.

Abraços!