Motociclismo de hoje – Vale a pena?
Como dito no post sobre a RD-350, há 20, 30 anos atrás andar de moto era algo bem diferente do que acabou se tornando. Quem andava de moto andava porque gostava e na maioria das vezes tinha uns bons parafusos a menos. Hoje em dia a moto acabou se tornando parte do cenário urbano, especialmente entre as pessoas que procuram um meio de transporte rápido, econômico e versátil.
Conversando com alguns “dinossauros” do motociclismo, ouvi muito sobre a camaradagem entre motociclistas, que não é mais a mesma hoje. Também ouvi sobre como as ruas estão abarrotadas de carros e andar de moto na cidade (ou mesmo na estrada) se tornou algo perigoso. Muitos até desistiram de andar de moto no dia a dia e passaram a pilotar só em viagens.
Isso não é algo muito difícil de se concordar. Uso a moto no dia a dia (é meu único veículo) e vejo quantas pessoas estão em cima de uma moto sem a mínima habilidade. Não têm a mínima idéia do que são capazes, ou do que a máquina que possuem é capaz. E não digo sobre andar no limite, e sim sobre o que podem ou não fazer numa situação de risco, ou mesmo no sentido de se locomoverem de maneira mais rápida e melhor pra elas e pros outros, sem comprometer o fator segurança. Gente dura em cima da moto, insegura, dá pra ver que a pessoa não está à vontade só de olhar. Gente que tranca corredor sem saber se vai ou se fica, arriscando a segurança de quem está atrás na fila, pois todos ficam obrigados a andar do lado dos carros, gente que não sabe fazer uma curva no traçado correto…
Também tem aquele povo que não sabe o que significa parar no semáfaro e cumprimentar o motociclista do lado, ou que anda de moto só pra economizar, muitas vezes dizendo que se pudesse compraria um carro, que moto é perigoso, que o parachoque é a testa, e toda aquela ladainha que a gente já conhece.
Eu sou obrigado a concordar com os meus amigos “dinossauros” em certos pontos. Mas, de uma certa forma, também vejo muita coisa boa no cenário de hoje em dia.
Em primeiro lugar, equipamentos de segurança agora são algo bem mais acessível, tanto no que diz respeito a marcas como a preço. Só anda desprotegido quem quer. Há jaquetas, botas, luvas, capacetes, etc., pra todos os bolsos. Boa vontade pra gastar seu dinheiro numa jaqueta, e não num escape esportivo, é outra história.
Em segundo lugar, é muito mais fácil comprar uma moto confiável, segura e que caiba no seu bolso. A tecnologia evoluiu muito e já se foi o tempo de motos que davam problema, encharcavam velas, travavam motor, quebravam suspensão… Um bom exemplo sou eu, que com 23 anos pude comprar uma moto 250 que cabe no meu bolso, me dá prazer e…. continua sendo um veículo versátil, econômico e ágil. Quantas pessoas há 30 anos atrás tinham essa opção? Isso foi inclusive comentado sobre um amigo meu que possui mais tempo de moto do que eu tenho de idade.
Em terceiro, por mais que existam pessoas andando de moto que não estão nem aí pro espírito motocicístico, nunca fiquei sem uma força na hora do prego. Sempre que tive algum problema, como na vez em que caí num buraco imenso e quebrei as duas rodas da moto (rodas que mesmo assim me permitiram parar em segurança junto com minha garupa graças à sua robustez) e recebi o auxílio de dois motociclistas, um que parou para perguntar se estava tudo bem e não me deixar sozinho no meio da rua à noite à mercê de ladrões e outro que saiu da sua casa ás duas horas da manhã pra me socorrer de carro e levar a moto pra minha casa. Sem aceitar um centavo em troca.
Certa vez parei pra socorrer as vítimas de um acidente de carro (um garoto bêbado, diga-se de passagem). Contei 6 motos estacionadas e os seus respectivos donos prestando os primeiros socorros. Quantos carros parados? Nenhum.
No final das contas, hoje é muito mais fácil se comunicar e conhecer pessoas bacanas. Há um mundaréu de encontros, fóruns na internet, telefone, celular, torpedo, carta, e-mail, orkut, twitter… É claro que o joio no meio do trigo está lá, mas sempre há pessoas dispostas a fazer amizade e rodar junto.
Enfim, por mais que hoje em dia o cenário seja desanimador, com pessoas que não respeitam motos, discriminação, motociclistas que não estão nem aí pra camaradagem, roubos, DPVAT nas alturas e leis absurdas, eu ainda acredito que cabe a nós fazer a NOSSA parte, pilotar com segurança, usar equipamentos de proteção e, principalmente, cultivarmos a amizade e andar com pessoas que valem a pena.
A opção de ser feliz ou de olhar só pros problemas é nossa.

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