Caminhos – parte 3 – A encruzilhada

O show foi tudo que se espera de um mega show de uma banda internacional. A música tocava alto e as pessoas gritavam enlouquecidas enquanto a vocalista, uma loira de pernas longas, corria pelo palco enquanto cantava. O som metálico da guitarra provocava arrepios e a bateria parecia contrapor as batidas dos corações dos expectadores.

Depois do show todos decidiram comer alguma coisa. O lugar escolhido foi uma pizzaria. Mesa grande, pessoas conversando e muitas risadas. E muito embora as guitarras já estivessem só na lembrança de um show perfeito, Ana Flávia ainda sentia o choque na sua alma.

Quando os olhos se encontraram com o daquele cara estranho, vestido de couro e de cabelos longos, ela não sabia o que pensar. Ele a fitou de cima a baixo, numa ousadia tremenda, como se não se importasse que ela visse que estava sendo comida com os olhos. Depois pareceu deixá-la totalmente de lado. E ela se irritou. “quem ele é? Ou melhor, QUEM ELE PENSA QUE É?”, refletiu consigo mesma. Mas depois de algumas palavras algo nele a atraiu. Ele era inteligente, seguro de si, tinha idéias interessantes, e sem dúvida era bonito, apesar de estar precisando de roupas mais claras e de um sapato novo.

Depois ele ficou lá, assistindo o show, com cara de quem estava adorando. E agora estava sentado ao lado dela, sendo simpático, sorridente e alegre, mas não parecia derretido por ela. Na verdade, ela nem sabia se ele estava dando muita importância para a presença dela ali do lado, ou mesmo se a tinha achado uma patricinha boba. E, por algum motivo que ela não sabia dizer,  estava atraída por ele, apesar de tentar negar o fato. Ansiava por um olhar dele, por um elogio, algum sinal de flerte.

Isso era algo que realmente a irritava: Não saber o que fazer numa situação. Levantou-se, catou uma amiga pelo braço e foi ao banheiro. Precisava respirar.

E quando chegou em casa pensou mais do que gostaria nele.  Deitou para dormir e seu sono que geralmente vinha tão rápido demorou a aparecer. Foi quando o mundo começou a sumir debaixo de seus pés. Não queria sentir aquilo agora. Não era a hora.

Soltou um palavrão e se levantou. A vontade foi mais forte. Pegou seu netbook e procurou entre os contatos do orkut de seus amigos o perfil dele. Queria saber mais sobre aquele garoto estranho, ousado, motoqueiro, advogado e que se vestia todo de preto. Tudo que, numa situação normal, ela não gostava numa pessoa.

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A situação não era complicada, mas Fernando não sabia o que pensar dela. Aquela garota era inteligente, tinha um sorriso lindo, um jeito de quem quer tudo ao mesmo tempo… era fascinante. Não se precisava mais do que cinco minutos do lado dela para saber que era apaixonada pela vida e transmitia isso a tudo que tocava. No primeiro contato conversaram sobre música e literatura. E não concordaram em absolutamente nada. Mas o que deveria gerar antipatia atiçou a curiosidade de Fernando. Uma coisa era certa: Ela sabia o que queria e defendia seu ponto de vista. Ele admirava isso numa pessoa.

Depois parou para fitá-la à distância, e gostou do que viu. Não tinha paciência para garotas que andavam como se tivessem algodão nos pés. Ela não era assim. Era altiva, dona do mundo, confiante. E convenhamos: Era também linda, de parar o trânsito, como comentou sutilmente com seu amigo que a tinha apresentado, com uma atenção especial àquele belo par de pernas. E Fernando teve a nítida sensação que ela sabia disso.

Como não queria ser mais um a confirmar o óbvio, não deu muita bola nem bandeira.  Se sentou do lado dela e puxou papo. Ela era uma garota agradável, e ele desfrutou da companhia dela como estranhamente há muito tempo não desfrutava da companhia de alguém. Fez isso com muito cuidado, sem transparecer muito interesse, nem muita distância, apesar de por dentro seu ímpeto ser o de sacar a cantada mais descarada do mundo, só pelo prazer de fazê-la corar.

Ao chegar em casa, tudo se confirmou. Fernando raramente falhava nas suas previsões. E como já imaginava que aconteceria, a garota não saía de sua cabeça. Como pensou, a situação não era mesmo complicada. Estava fascinado. Ponto final. E sabia que se ela fosse mesmo daquele jeito, então ele estava a um passo de se apaixonar. Ele não planejava isso, e de certa forma ficava assustado. Não sabia se estava preparado, mas sabia que era bobagem fugir. Por isso já imaginava qual seria o próximo passo e como se aproximaria dela. Respirou fundo e procurou o MSN dela na internet.

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Sobre thevisionaire

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Uma resposta a Caminhos – parte 3 – A encruzilhada

  1. ana carolina diz:

    Você acredita em destino???
    Não?!
    pois deveria 😉
    A natureza é tão perfeita que chega a ser interessante…rsrsrs…
    Interessante por ser perfeita!!!! A perfeição, na verdade me interessa muita sabe…
    Voltando a natureza em sua magnânima perfeição, é interessante como ela prepara o tempo certo para as pessoas certas, para que dessa forma não haja a necessidade de nenhuma influência externa….
    Essa noite foi assim… uma mostra espetacular a interessante perfeição do que acontece naturalmente….

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